tabagismo.info Sunday, 25 February 2018
VII curso TPC arrow Última hora arrow Fumo passivo (nunca existiu) Fumo alienígena (sempre que alguém fuma)
Fumo passivo (nunca existiu) Fumo alienígena (sempre que alguém fuma) PDF Print E-mail
 
Image Este adjectivo é usado no âmbito da problemática do tabagismo, substituindo a expressão fumo passivo por fumo alienígena.
 
A alteração semântica visa chamar a atenção para o facto de que algo considerado na língua portuguesa de passivo não transporta necessariamente perigosidade. Ora a presença de fumo do tabaco num ambiente onde existam não fumadores, é um atentado sério e estrangeiro contra a integridade física dessas pessoas. Por isso a palavra passivo deve ser irradicada da linguagem que deseja caracterizar a perigosidade do fumo ambiental, do fumo alienígena.
 
As consequências do fumo alienígena para a saúde, estão bem documentadas. De acordo com o U.S. Department of Health & Human Service – Office of the Surgeon General, inspirar fumo alienígena mesmo em pouca quantidade pode ser prejudicial para a saúde. É impossível determinar um nível de exposição ao fumo alienígena, livre de riscos para a saúde. Estar numa sala onde se fuma mesmo por pouco tempo, pode ter efeitos adversos imediatos no sistema cardiovascular e respiratório. A nível cardiovascular, o fumo alienígena faz com que as plaquetas fiquem mais pegajosas, danifica o interior dos vasos sanguíneos, diminui o fluxo de sangue nas coronárias e altera os batimentos cardíacos. Nas pessoas com problemas cardíacos e respiratórios, o risco de sofrer efeitos adversos do fumo alienígena é potencializado. Os muitos químicos contidos no tabaco espalham-se pelo ar e, ao serem inalados causam irritação nas vias aéreas, tosse e dispneia. Há maior probabilidade de sofrerem um ataque de asma, aqueles que já sofrem de asma.
 
O fumo alienígena quando inalado pelas crianças pode aumentar o risco de infecções respiratórias, problemas auditivos, asma severa, baixo crescimento pulmonar e síndrome da morte súbita. Esse risco é acrescido se a mãe fumou durante a gravidez e a criança mantiver exposição ao tabaco após o nascimento.
 
A expressão alienígena de acordo com o Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa (de António de Morais Silva) é definida como um adjectivo no feminino. No entanto o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia de Ciências de Lisboa, tem esta entrada para os dois géneros: "Alienígena: adj m e f (do lat. alienígena. Estrangeiro, estranho, forasteiro; opõe-se a indígena." A sua concordância com ambos os géneros indica que a sua aplicação deve e pode ser feita a outros domínios nos quais o conceito de "estrangeiro", "estranho" transporta uma representação social relevante na construção de uma realidade. A alteração agora proposta à comunidade científica e da comunicação social, visa potenciar com o reforço semântico, a noção de gravidade e perigosidade do fumo ambiental. Ela resulta de um brainstorming realizado no contexto da comunidade de práticas i-tpc, que se reune regularmente no âmbito do projecto i-TPC da Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa.
 
 
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